Templates da Lua

Créditos

Templates da Lua - templates para blogs
Essa página é hospedada no Blogger. A sua não é?

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Sexologicamente Falando

Somos pós-modernos, capitalista, libertários. Fizemos história, ciência, política e a Roberta Close. Falamos de direitos, de arte, do vizinho, dos buracos negros, da crise, de Deus, dos pedaçoes dos seres humanos arrancados na guerra e tratamos morte como estatística, friamente, todo dia enquanto jantamos. Liberdade de expressão levada ao pé da letra, com tomate, carne moída e sobremesa. Entretanto, a era da informação transforma-se subitamente na idade da pedra quando se trata de sexo.
Os pais terminam de falar sobre os novos tratamentos de combate ao câncer e em seguida juram de pés juntos ao filho pré-adolescente que a cegonha trouxe o irmãozinho. Claro que a cegonha só traz bebês aos casais muito apaixonados, e que é por isso que o papai estava em cima da mamãe aquele dia, assunto encerrado e a mãe corada de vergonha.
A criança, preenchendo o questionário: "Pai, o que é 'sexo'?" - e temos um pai desesperado, gaguejando: "pergunta pra sua mãe", enquanto procura o telefone da pervertida da professora que escreve 'sexo' num questionário de 3ª série. Depois de discutir com a professora, vê a cara de decepção da esposa, olhando-o feio ao responder: "coloca 'feminino', filha".
Estamos no século 21, e sexo é um grande tabu, ainda que subconscientemente, seja a grande razão da existência. Cientificamente falando, temos que procriar para a preservação da espécie. Religiosamente falando, temos que multiplicar e encher a Terra. O sexo está gravado no nosso código genético e na nossa alma.
Não é à toa a supervalorização do sexo na nossa sociedade tupiniquim, analisando a história, ciência, a política (e até a Roberta Close), percebemos que tudo, das mais malignas até as mais despretensiosas das atitudes, tem um mesmo intuito final: sexo.
Os rapazes aprendem seu violãozinho, para paquerar as gatinhas, para fazer sexo. As pessoas se interessam por arte, para conhecer pessoas mais "cult", e ter o sexo que só elas proporcionam. Ninguém estuda por que é bonzinho. As pessoas estudam, para ter "futuro"; ter um emprego bacana, um carrão, e arrumar um bom partido, para fazer mais sexo e com mais qualidade. As pessoas são legais, para serem mais amadas e ter sexo mais fácil. Hora ou outra o sexo entra na história, algumas vezes a relação é mais direta, outras vezes mais oculta, mas sempre entra.
Alguns indivíduos mais pudicos ficam inconformados com essa minha teoria, até tentam argumentar: "Eu não faço trabalho voluntário por causa de sexo"; "claro que não! Você faz trabalho voluntário, para ficar de bem com a vida, e assim mais saudável e mais bonito, para conquistar mais pessoas e fazer mais sexo." - respondo.
"E as doceiras?", "os nerds?", "os ativistas?", "os padres?", - "Conquistar pelo estômago; sexo geek; sexo anárquico; pedófilos, respectivamente." - revelo.
"E quem já tem sexo?" - "Quer mais e melhor." - triunfo.
O mais intrigante é que alguns se revoltam, mas ninguém consegue encontrar falhas nessa argumentação; no fim da conversa, sempre um reclama: "eu não faço as coisas pensando só em sexo, não sou tarado!". Piedosamente, respondo que não é essa a questão, não se trata de ser tarado ou não, mas de ser humano e hipócrita, ou humano e sincero, que está tudo alí, no subconsciente.
Se as pessoas ameaçarem me apedrejar,(apedrejamento: ritual bárbaro comum no século 21, onde as pessoas arremessam pedras em quem ousa falar a verdade), eu arremato: "Nós não somos tarados! Deus não nos mandou encher a Terra? Ninguém poderá dizer que não estamos nos esforçando!".

C.M.Q. Autora

Nenhum comentário:

Postar um comentário